domingo, 29 de março de 2026

228

 A lua que ilumina a mata

Tão brilhante como um sol 

Mas, não é d’oiro; é de prata 

Seu brilho cobre como lençol 

Toda a selva que já descansa 

Mas, vem a manhã tão mansa... 

E o astro rei já começa a reinar 

É terminado o reinado da treva 

Nova jornada que vai começar 

O orvalho, agora molha a relva

 É o dia novo que, lento, avança 

Mas, vívido, qual uma criança!

 

MMXI

227

Oferta-me o seu belo olhar

Abraça-me com todo fervor

Beija-me a face, sem cessar

Diga-me palavras de amor

Sou seu eterno enamorado

Pelo Cupido, fui flechado!

Seu lindo rosto, meu prazer

Que tanto me anima, encanta

Ver’alegria que posso querer

Motivo dest’alma que canta

Pela sua magia, fui encantado

Tenho o prêmio tão desejado!

 

2011

Novembro

Esta batalha tão custosa

Que deixou o peito ferido

Antes não tivesse ido

Mas algo me fez partir

Viajei ao estrangeiro

Me entreguei por inteiro

Veja esta cicatriz

 

A erva amargosa

E o corpo destruído

O homem combalido

Não consegue dormir

Nada é passageiro

Cada cor e cada cheiro

Lhe remete àquele país

 

Esta lição dorosa

Deixa o ser decaído

Mas, assim foi escrito

Sem fingir, sem mentir

Foste o fiel cavaleiro

O destemido armeiro

Fizeste o que não fiz

 

Assim é a saga amorosa

Amar e ser esquecido

Ser parado, ser detido

Querer de tudo fugir

Mas, banha-te no ribeiro

Faz-te belo e faceiro

Olvida quem nunca te quis!

 

MMXI

segunda-feira, 16 de março de 2026

Agonia e Glória

I

Descortina-se esta duríssima lida

Cerne de toda humana existência

Meandros da custosa, dorosa vida

Caminhos, trilhas da fatal vivência

Cotidianamente, se luta, se empenha

Mesmo sabendo que pode ser em vão

Existe aquele que vitupera, desdenha

Joga, lança os planos todos ao chão

Entretanto, todos os dias, continua

A disputa crudelíssima, nua e crua!

 

II

Este terrível, temível, insano ludo

Que a muitíssimos faz enlouquecer

Nasce, assoma o sofrimento mudo

Poderá, no fim, tudo fazer perder

Pensava ser valoroso, importante

Todos seus esforços são olvidados

Resigna-se: esta é sua sorte mutante

Não gostavam de ti! Eram educados!

A ingratidão que no peito, corroi, arde

Lutou! Sofreu! E és chamado de covarde!

 

2010

224

Mesmo que tudo desabe 

Não fugirei. Ficarei

Por mais que tudo se acabe 

No Senhor, confiarei 

Deus está sempre perto

Oásis no deserto 

Aquele que é fiel

Não perde coisa alguma 

Ergue os olhos ao céu 

Graça desce, uma a uma 

E seu cálice fica cheio 

Foi-se o medo e o receio

 

MMX

223

Não me abandone, Senhor!

Ainda que tenha merecido

Já provei toda a dor

Corpo já está combalido

Este sofrer sem cessar

Minha vida parece terminar

Volve para mim seu rosto

Ergue-me do frio chão!

Acabe com este desgosto

Finde com esta solidão

Pois quem crê, está seguro

Deus determina o seu futuro!

 

2010

segunda-feira, 9 de março de 2026

222

A ti me entrego, Meu Deus

Não te olvide de mim!

Me conte entre os seus

Te serei fiel até o fim

Pois terei a recompensa

Que será eterna e imensa

Mesmo diante de desafios

Que surgem a toda hora

Caminhos estreitos e esguios

Porém sua graça me revigora

E posso seguir, confiante

Pois me guarda todo instante

 

MMX

228

  A lua que ilumina a mata Tão brilhante como um sol  Mas, não é d’oiro; é de prata  Seu brilho cobre como lençol  Toda a selva que ...