sábado, 27 de dezembro de 2025

61

Seus cabelos tão macios 

Doirados são os seus fios 

São minha maior conquista 

Não há homem que resista 

À sua beleza luminosa 

Mas, tudo isto é só meu 

Prêmio de quem mereceu 

Quem ama de verdade 

Está repleto da felicidade 

Da alegria mais ditosa

 

2003

60

 Os raios de sol atravessam o vitral 

Desenhando flores nos velhos tapetes 

Flores, folhas, algum animal

Tão simples e singulares enfeites 

E a figura de uma rosa bonita 

Enganou o coitado do beija-flor 

Cujo aspecto de uma real imita 

Por ser bela de tão viva cor!

Bica, bica nada a sugar 

Mas, tenta, tenta sem cessar

 

MMIII

 

59

Seu rosto belo, ao entardecer 

A luz de seus olhos brilhantes 

Faço o impossível para te ver 

Por meros e preciosos instantes 

Mas, não me dá oportunidade 

Brinca comigo de se esconder 

Faz o doce jogo dos amantes 

Contudo, no fim, hei de vencer 

Te amar, como nunc’antes!

Desejo e paixão nesta doce idade!

 

2003

 

58

 Nestas linhas tortuosas 

Descrevo as dores sentidas 

Das paixões sempre ditosas 

E jamais correspondidas

De que vale, amar sozinho?

Tantas batalhas custosas

Diversas noites mal-dormidas

 Forças bem mais poderosas 

A mais cruel das lidas

Afastam-me do beijo e do carinho!

 

MMIII

 

sábado, 20 de dezembro de 2025

57

 Ao longe, plora um violão 

Melodia sincera e pungente 

Parece sofrida esta paixão 

Tão real e tão envolvente

O amor que não se completa 

Bate forte só um coração 

Que tortura o peito doente 

Fazendo sonora pulsação 

Não vá parar de repente! 

Matando o anônimo poeta

 

2003

 

56

 Te amei com todo ardor

Ofertei-te ver’amor

Te dei o melhor de mim 

E tudo acaba assim

Um adeus e nada mais 

Tira as pétalas da flor 

Rouba do arco-íris a cor 

Observo, triste e incapaz 

O que sobra!? É o fim 

Pobre Abel. Viva Caim!

 

MMIII

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

55

Vai ao país, distante e estrangeiro

Mata teus irmãos, qual formigueiro

Incômodo. Que deve destruir

Não importa se irá ferir

A criança, a mulher inocente

Extermine tudo, por inteiro

Cumpre a ordem do brigadeiro

Tenente-coronel, a instruir

Acredita na vitória. Posa a sorrir

 Na foto com o correspondente

 

2003

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

54

Por ti, atravessei o deserto

Fiz errado o que era certo

Me perdi na longa estrada

Mulher cruel e desalmada

Atirou-me ao cativeiro

Fui tolo, não esperto

Vim de peito aberto

Caí da íngreme escada

Tive a paixão torturada

Amou metade; amei inteiro

 

MMII

53

 Limpa este rosto bonito 

Acaba com o choro aflito 

Que só traz sofrimento 

Cesse, termine este lamento 

Chega, basta de padecer!

Aprecie o amor infinito 

Prêmio de valor bendito 

Nobre e belo sentimento 

Guarda este momento: 

Quem hoje ri, de sofrer! 


2002

52

Tanto dissabor! A loucura

Acalentada no coração

Indefeso. Mal sem cura

Triste e dorosa condição

Amar, desejar e ver-se

A lua, de grande brancura

Ilumina a terrível escuridão

A constante e terrível jura

O desvelo de uma paixão

Depois, virá o fim. a pó!

 

MMII

Ainda bate um coração!

I

Tornei-me uma fera 

Aprisionada. Eterna espera 

Que parece sem fim

Prisão feita por mim 

Pela corrente das ilusões 

Aquilo que tanto se esmera

Revela-se uma quimera 

Lábios de vermelho carmim 

Boca de um querubim

Que estraçalha os corações!

 

II

Ela veio; não me encontrou 

Não estava. Mas deixou 

Um bilhete rabiscado

Num papel dobrado 

Que ficou preso à porta:

“Quem veio e não te achou 

O coração, aqui, depositou

Peço que devolva-o imaculado

Intacto e bem guardado

O resto, não importa!”


III

Perdi-me de ti, doce alma 

Perdi, toda minha calma 

Padeço em demasia 

Exaurida foi a alegria 

Ficou-me o tormento

Sem seu carinho que acalma 

Beijo a beijo, palma a palma 

Dia e noite, noite e dia

Por ti, tudo faria 

Mas, estou só, no relento

 

2002

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

50

 Amor por séculos cantado

Para matronas e donzelas

Quantos tiveram seu agrado

E escreveram páginas tão belas

Por tua causa, quanta morte

Seu sentido modificaram

A paixão solitária da consorte

E dos amantes que tanto choraram

Assim, cantei nestes singelos versos

 O amor que unifica os universos

 

MMI

49

Não permitirei que a tristeza 

Seja a minha companheira 

Lutarei, com toda certeza 

Até atingir a vitória inteira

Ergo-me, começo a caminhada 

Bebo a água pura das fontes

E trilho a longa estrada

grandes vales, bosques e montes 

Continuarei seguindo e amando 

Caindo. Mas me levantando

 

2001

 

 

48

 Alma boa e angelical 

Ao meu lado, és constante 

Mostra-me o bem e o mal 

Vale mais que o diamante 

Quando caí, me levantaste 

De lama, meu rosto limpou 

Minhas lágrimas enxugaste

Por tua causa, vivo hoje estou 

Sigo caminhando, querida 

Contigo, por toda a vida!

 

MMI

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

47

 Nada posso te oferecer 

Não possuo qualquer riqueza

Comigo, muito irás sofrer 

Vida limitada, muita tristeza 

Só tenho o corpo combalido 

Já enfraquecido e sem vigor 

Tantas vezes fui perseguido 

Compus meu rosário de dor 

Aviso-te, desde agora:

Afasta-te desta alma que chora!

 

2001

 

46

Como dormir à noite? 

Se meu pensamento 

Nela está. Qual açoite

Flagela. Dor e sofrimento 

Amar. Entregar o coração 

Nada pedir. Apenas esperar 

Um beijo, o corpo, suave mão 

Sofrer, sem medida, sem cessar 

Possuir a esperança dum dia 

Encontrar a perdida alegria!

 

MMI

45

Ter ao lado quem se estima 

Encontrando a força vital 

Que impulsiona, que anima 

Livrando de todo o mal 

Onde se possa recostar

Ombro amigo, a palavra certa 

Que nos diz: passou! Vais, recomeçar

O coração opresso, desaperta 

Remédio para toda ferida 

Prêmio maior da vida!

 

2001


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

44

Um alguém a nos amar 

Isto é por tantos desejado 

Vero carinho a ofertar

Adormecer, tranquilo, sossegado 

Sem perguntas, sem imposições 

É especial cada momento 

Sinceras todas as ações

Somente doce contentamento

Será isto desejo inatingível?

Será isto anelo impossível?

 

MM

43

Amei quem não me amou 

Cuidei de quem não me valeu 

Zelei por quem quase me matou 

Dei a ela tudo que era meu

Ela sorri; hei de chorar 

Aprender com o sofrimento

Pesada pedra a carregar 

Ouvindo os ecos de lamento...

Toda noite, a cama fria 

E a solidão, por companhia

 

2000


42

 Quando se é olvidado 

Pela pessoa tão amada

O coração é despedaçado 

Alma vira terra devastada 

É triste, tudo o que se cria

Nada contenta, nada dá ânimo 

Perde-se o riso, a alegria 

Crescem o medo e o desânimo 

Tudo é cinzento, não tem cor 

Insípido, inodoro, sem sabor

 

MM

228

  A lua que ilumina a mata Tão brilhante como um sol  Mas, não é d’oiro; é de prata  Seu brilho cobre como lençol  Toda a selva que ...