terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Ainda bate um coração!

I

Tornei-me uma fera 

Aprisionada. Eterna espera 

Que parece sem fim

Prisão feita por mim 

Pela corrente das ilusões 

Aquilo que tanto se esmera

Revela-se uma quimera 

Lábios de vermelho carmim 

Boca de um querubim

Que estraçalha os corações!

 

II

Ela veio; não me encontrou 

Não estava. Mas deixou 

Um bilhete rabiscado

Num papel dobrado 

Que ficou preso à porta:

“Quem veio e não te achou 

O coração, aqui, depositou

Peço que devolva-o imaculado

Intacto e bem guardado

O resto, não importa!”


III

Perdi-me de ti, doce alma 

Perdi, toda minha calma 

Padeço em demasia 

Exaurida foi a alegria 

Ficou-me o tormento

Sem seu carinho que acalma 

Beijo a beijo, palma a palma 

Dia e noite, noite e dia

Por ti, tudo faria 

Mas, estou só, no relento

 

2002

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