quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Condição Humana

I

Não deve-se esperar

O reconhecimento daqueles

Que amamos

Quiçá, depois que partirmos

Talvez alguém entoe um cântico

Alguém componha uma canção

Preste singela homenagem

Mas, no fim, nada valerá

Os mortos não ouvem

 

II

Do túmulo, pode brotar uma flor

Tímida e pálida, mas flor

Última lembrança de uma era

Que findou no dia, na aurora

Alguém a arrancará

A levará para lugar distante

Iremos também

Mesmo que a contragosto

 

III

Não espere o amor tranquilo

Pois este só existe no mar de silêncio

Mar de lápides e jazigos

Que escondem a torpeza humana

Se amar, ame com furor, com élan

Se fizer o bem, esqueça a gratidão

Assim, sua vida será plena

E ditosa

 

MMVII

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