I
Por algum tempo
cultivei
A semente estéril que jamais vingaria
Regava-a com meu pranto, todos os dias
Esperando que os
céus ouvissem minha voz
Não ouviram:
tudo perdeu-se
II
Frequentei a escola da ilusão
Onde fui aluno exemplar
Deixei-me enganar com palavras
Que nada eram; palavras ao vento
E descobri que tudo não aconteceu
Aliás, esqueceu de acontecer
III
Agora, peso o que restou-me:
Silencioso, retiro-me da batalha
É sempre assim, quando coloca-se
O coração na linha frente
Não importando o
quanto machucará
2005
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