I
O coração olha, os olhos pulsam
E todos os sentidos se confundem
O ouvido sente, o olfato escuta
E as palavras nos iludem
II
O medo do que há de vir
Parece paralisar e sufocar
Uma nova direção a seguir
Pode tudo fazer desabar
III
Um cheiro familiar
Um gosto tão sutil
Um dèja-vu tão peculiar
Um certo sentimento senil
IV
Tudo inebria, tudo pode turvar
Qual canto de sereia
Um abismo a ocultar
Mera miragem no deserto
Ilusão a nos enganar
2010
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